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CNU: como funciona o Concurso Nacional Unificado, o que mudou nas edições e o que se sabe de 2027

Resposta rápidaO Concurso Nacional Unificado reúne em uma só seleção vagas de vários órgãos federais. O candidato faz uma inscrição, escolhe um bloco temático e ordena os cargos que quer. As provas são aplicadas ao mesmo tempo em 228 cidades. A edição de 2024 teve 6.640 vagas, e a de 2025, 3.652. Para 2027, o governo fala em até 3 mil vagas, mas a edição depende do Orçamento e ainda não tem edital.
Neste artigoO que é o CNUComo funcionam os blocos temáticosComo são as provasCotas e paridade de gêneroDepois da prova: confirmação e lista de esperaNúmeros das duas ediçõesO que mudou de uma edição para a outraLinha do tempoO que se sabe sobre 2027Erros comuns de quem disputa o CNUOnde acompanharPerguntas frequentesFontes

O que é o CNU

O Concurso Nacional Unificado, que o governo chama oficialmente de Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), junta numa seleção só as vagas de vários órgãos do Executivo federal. Ganhou o apelido de "Enem dos concursos".

Ele foi criado pelo Decreto nº 11.722, de 28 de setembro de 2023, e é coordenado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Em vez de cada órgão abrir o próprio concurso, as provas são aplicadas ao mesmo tempo em todos os estados e no Distrito Federal.

Qual a vantagem para o candidato? Com uma inscrição e uma taxa, ele disputa cargos de órgãos diferentes. E faz a prova perto de casa: as edições usaram 228 cidades, escolhidas para que cerca de 95 por cento da população tivesse um local a até 100 km de casa, segundo o MGI.

Como funcionam os blocos temáticos

Os cargos são agrupados em blocos por área de conhecimento. Todos os cargos de um bloco têm a mesma prova. O que muda de um cargo para outro é o peso dado a cada parte.

Na inscrição, o candidato:

1. escolhe um único bloco por edição; 2. marca, dentro dele, quantos cargos e órgãos quiser; 3. coloca esses cargos numa lista de preferência, do que mais quer para o que menos quer.

Essa ordem decide para qual vaga a pessoa vai se tiver nota para mais de uma. Segundo o MGI, 65,42 por cento dos aprovados na edição de 2024 ficaram com uma das duas primeiras opções da lista.

Em 2025, os nove blocos e suas vagas foram estes, segundo o estudo publicado pelo MGI em junho de 2026:

BlocoÁreaVagas
1Seguridade social: saúde, assistência social e previdência789
2Cultura e educação130
3Ciências, dados e tecnologia212
4Engenharias e arquitetura306
5Administração1.172
6Desenvolvimento socioeconômico285
7Justiça e defesa250
8Intermediário: saúde168
9Intermediário: regulação340

Como são as provas

O modelo abaixo é o da edição de 2025, aplicada pela FGV.

Prova objetiva (múltipla escolha, cinco alternativas):

  • nível superior: 90 questões, sendo 30 de conhecimentos gerais e 60 específicas, em 5 horas;
  • nível intermediário: 68 questões, sendo 20 gerais e 48 específicas, em 3h30.

Prova discursiva:

  • nível superior: duas questões, em 3 horas;
  • nível intermediário: uma redação dissertativo-argumentativa, em 2 horas.

A parte de conhecimentos gerais tratou de cinco temas: realidade brasileira e políticas públicas; gestão pública e governança; ética, integridade e diversidade; raciocínio lógico e análise de dados; e língua portuguesa com interpretação de textos.

Alguns cargos têm etapas extras: avaliação de títulos (só classifica), defesa de memorial e prova oral, investigação social e curso de formação, que elimina e classifica. Quem não conhece a lógica das bancas pode ver como funciona o recurso contra gabarito.

Cotas e paridade de gênero

A edição de 2025 foi a primeira a aplicar a Lei nº 15.142/2025, segundo o MGI. A reserva subiu para 35 por cento das vagas:

  • 25 por cento para pessoas pretas e pardas;
  • 3 por cento para indígenas;
  • 2 por cento para quilombolas;
  • 5 por cento para pessoas com deficiência.

Cargo com poucas vagas não comporta a divisão. Por isso, a reserva automática só valeu a partir de 2 vagas (cotas étnico-raciais) e de 5 vagas (pessoa com deficiência). Abaixo disso, o MGI fez sorteio público para escolher quais cargos teriam vaga reservada.

Outra novidade de 2025: pelo menos metade dos convocados para a prova discursiva tinha de ser de mulheres. Se faltassem, o MGI chamava mais candidatas.

Para entender a verificação da autodeclaração, veja o guia de cotas raciais e heteroidentificação. Quem concorre como pessoa com deficiência encontra as regras de laudo no guia de vagas para PcD.

Depois da prova: confirmação e lista de espera

Saem as notas e as listas de classificação. Em seguida, o aprovado dentro das vagas precisa confirmar interesse no cargo, em pelo menos três rodadas de chamada. Quem perde o prazo é eliminado daquele cargo.

Em 2025, a lista de espera de cada bloco teve o dobro das vagas imediatas, mais os empatados. O MGI também usa um banco de aprovados, válido por 1 ano e prorrogável por mais 1, para chamar gente em novas vagas autorizadas no período.

Números das duas edições

Dados do MGI, em notícia de 27 de outubro de 2026 e no estudo de caso de junho de 2026:

2024 (CPNU 1)2025 (CPNU 2)
Vagas6.6403.652
Órgãos2132
Blocos89
Inscrições2.114.145761.545
Cidades de prova228228
TaxaR$ 60 (médio) e R$ 90 (superior)R$ 70
ExecuçãoMGI, com provas da CesgranrioEnap, com provas da FGV
Provimentos autorizados8.7374.125

As 3.652 vagas de 2025 se dividiram em 2.480 imediatas e 1.172 para chamada logo após a homologação.

Em 2024, 970.037 pessoas fizeram a prova, e a abstenção chegou a 54,12 por cento, segundo balanço do MGI de 19 de agosto daquele ano.

O que mudou de uma edição para a outra

  • Datas: em 2024 tudo foi num dia só. Em 2025, objetiva e discursiva tiveram datas separadas.
  • Quem executa: a execução técnica passou do MGI para a Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
  • Cotas: de 25 por cento para 35 por cento, com quilombolas e sorteio de cargos.
  • Confirmação de interesse: antes só valia para cargos com curso de formação. Em 2025 passou a ser obrigatória para todos.
  • Segurança: a prova de 2025 ganhou código de barras individual em cada página.

Linha do tempo

  • 28/9/2023: decreto cria o modelo unificado.
  • 5/5/2024: data original da primeira prova, adiada por causa das enchentes no Rio Grande do Sul.
  • 18/8/2024: primeira edição é aplicada.
  • 2 a 20/7/2025: inscrições da segunda edição.
  • 5/10/2025: provas objetivas da segunda edição.
  • 7/12/2025: provas discursivas.
  • 16/3/2026: começam as convocações para nomeação e cursos de formação.
  • 2026: sem nova edição. Segundo a Folha Dirigida, a ministra Esther Dweck disse que o ideal é fazer o CNU no primeiro e no terceiro ano de governo, fora do ano de eleição.
  • 29 e 30/10/2026: MGI fala em até 3 mil vagas para 2027, condicionadas ao Orçamento.

O que se sabe sobre 2027

Pouco. O MGI diz que a terceira edição pode ter até 3 mil vagas e depende de o Congresso aprovar o Orçamento de 2027 com espaço para as contratações. O ministério também afirmou à Agência Brasil que quer o CNU como seleção regular, de preferência a cada dois anos.

Banca, data, cargos, taxa e regras de cotas não foram divulgados até 5 de novembro de 2026.

Erros comuns de quem disputa o CNU

  • Escolher o bloco pelo salário. A inscrição vale para um bloco só. Veja antes quais cargos e órgãos estão em cada um.
  • Montar a lista de preferência às pressas. A ordem define a vaga. Não coloque no topo um cargo que você não assumiria.
  • Escolher a cidade sem pensar. Em 2025, a cidade de prova não podia ser trocada depois da inscrição.
  • Perder a confirmação de interesse. O prazo é curto e quem não responde sai da disputa daquele cargo.
  • Esquecer a isenção. O pedido tem janela própria, anterior ao fim das inscrições. Veja o passo a passo no guia de isenção da taxa.
  • Acreditar em edital antecipado. Até o MGI publicar, número de vagas e data são estimativas.

Onde acompanhar

  • Página do concurso no site do Ministério da Gestão: gov.br/gestao/pt-br/concursonacional
  • Diário Oficial da União, onde saem edital, autorização e retificações
  • Site da banca, quando ela for anunciada

Antes de se inscrever, leia o edital inteiro. O guia como ler o edital de concurso mostra o que conferir primeiro.

Perguntas frequentes

Posso me inscrever em mais de um bloco do CNU?

Não. Cada candidato escolhe um único bloco temático por edição. Dentro dele, pode indicar vários cargos e órgãos, em ordem de preferência.

Quanto custou a inscrição no CNU?

Em 2025, a taxa foi de R$ 70 para todos os cargos. Em 2024, foi de R$ 60 para nível médio e R$ 90 para nível superior. O valor de 2027 ainda não foi definido.

Quem tem isenção da taxa no CNU?

Em 2025, puderam pedir isenção inscritos no CadÚnico, doadores de medula óssea, bolsistas do Prouni e financiados pelo Fies. As regras de 2027 dependem do novo edital.

Qual é a reserva de vagas no CNU?

Na edição de 2025, 35 por cento: 25 por cento para pessoas negras, 3 por cento para indígenas, 2 por cento para quilombolas e 5 por cento para pessoas com deficiência.

O que acontece se eu não confirmar interesse na vaga?

Quem não se manifesta no prazo é eliminado daquele cargo, e a vaga passa para o próximo da lista.

Onde sai a informação oficial do CNU?

Na página do concurso no site do Ministério da Gestão (gov.br/gestao/pt-br/concursonacional), no Diário Oficial da União e no site da banca indicada no edital.

Fontes

Redação Concurso de Hoje. Atualizado em 5 de novembro de 2026. Informações conferidas nas fontes oficiais listadas no texto; se algo mudar, a página é atualizada.

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